• Carol Capel

Fala aí Carol: Sobre Nossa Adaptação nos Estados Unidos (ou escreve, no caso)

Sempre muita gente pergunta: Mas vocês se adaptaram bem?

Olha me desculpe, mas a resposta para essa pergunta é meio óbvia! Difícil mesmo é se adaptar a uma situação ruim. 

Para mim, difícil mesmo seria me adaptar a viver no Brasil de novo. Se só de lembrar tenho crises de síndrome do pânico. 

As pessoas que vem ao meu blog, elas vem porque procuram viagem para os Estados Unidos. Mas não somente viagem, elas vem porque procuram morar nos Estados Unidos. Muito mais do que para obter dicas de Orlando, meu canal virou o momento de: Vamos ver se ela está se dando bem lá para tentarmos também. 

E daí entramos naquela questão de que as pessoas dizem que torcem pelo seu sucesso, mas na verdade elas querem mesmo que você falhe para poderem dizer: Cuspiu tanto no prato que comeu que se fudeu. Mas o que as pessoas não entendem é que: Eu não pedi para comer desse prato. Quando falo que minha vontade era nunca ter nascido no Brasil, I mean it. Porque é realmente algo que não me orgulho. 

Adaptar-se aos Estados Unidos é a mesma coisa que comer carne de terceira a vida toda e depois experimentar o filé mignon e não querer mais voltar a comer a carne de terceira. Tudo no Brasil é mal-feito ou feito pelas coxas. Tudo, absolutamente tudo. A educação das pessoas também foi feita nas coxas, não falo de pessoas que falam palavrão ou de pessoas que são bocudas, porque eu falo muito palavrão e sei que isso não interfere em nada na vida. Interfere apenas para aqueles que tem algo reprimido. Falo de educação no sentido de educação para a vida. De saber viver, de saber respeitas as pessoas, de saber respeitar as leis, de serem pessoas civilizadas. 

Aliás civilidade, essa palavra não existe por lá. No Brasil, é mais esperto aquele que passa na frente as pessoas, que fura filas, esse é tido como espertão. Sem falar nos ídolos nacionais, quem são os ídolos nacionais no Brasil? São MCs qualquer coisa, porque eles fazem uma música que fala sobre comer a xavasca de alguém, esses são os ídolos nacionais. Pessoas dignas de vergonha ficando milionárias naquele país graças a mediocridade do povo.

Aliás mediocridade, essa palavra nos remete ao médio. Então não sei se é a melhor palavra para ser empregada nessa circunstância, porque médio ainda é bom, é quase bom. Se existe uma palavra abaixo de medíocre, vamos usá-la então. 

E de quem é a culpa? A culpa é nossa mesmo. 

A culpa é das nossas origens e não vai mudar. Então nem adianta tentar. 

Um belo dia no Facebook eu achei o vídeo da Bel Pesce lendo a carta aberta do gringo para o Brasil e a quantidade de comentários criticando o gringo eram imensas. Porque ninguém aceita a verdade. Brasileiro não gosta de ouvir a verdade. 

O problema não é a política econômica, não é o colonialismo, o problema é você. Você que lê esse texto, assim como o gringo diz. Nós somos o problema e estamos perpetuando o problema no Brasil. São as crenças e a mentalidade da sociedade. O problema é tudo aquilo que resolvemos aceitar como parte de ser brasileiro, mesmo que isso não seja certo. O famoso jeitinho brasileiro que nosso povo enche o peito para dizer e acha bonito. Quando eu tenho nojo. 

Vaidade, pessoas atrasadas, os brasileiros estão sempre atrasados e é uma coisa normal. Por aqui quando eu marco algo com brasileiro eu demoro muito mais tempo esperando a pessoa do que realmente no compromisso.