• Carol Capel

Como é o Atendimento de Saúde Pública na Itália? Meu drama com Pedras nos Rins!

Atualizado: 21 de abr. de 2018

Era por volta de 11h da noite quando eu tinha acabado de jantar, peguei o computador do Marcelo e me sentei no sofá para jogar um jogo. Quando de repente comecei a sentir um desconforto na região lombar. O mais engraçado é que devido às minhas milhares de crises renais eu já logo desconfiei o que era: PEDRA NO RIM! Assim como toda boa cólica renal que se preze, essa não foi diferente e em menos de 1 - 2 minutos a dor já estava insuportável! Foi então que eu falei: “só me faltava essa, não falta mais nada.” Afinal de contas quem me assiste sabe que eu moro no fim do mundo. A dor foi ficando insuportável e então me lembrei do número da emergência italiana 118. Peguei o celular e já pedi pro Marcelo ir correndo pegar um acetaminophen (remédio milagroso para cólicas menstruais que eu trouxe dos EUA). 


No telefone: 

Liguei e em menos de 1 toque o serviço de emergência nacional me atendeu. Eu, sem falar direito Italiano disse: PRECISO DE UMA AMBULÂNCIA PER GIGNESE!!! Dai o cara que me atendeu cismou que precisava colocar um tradutor português-italiano na linha. Meia noite e ele procurando o bendito tradutor. Depois de 8 minutos me volta ele: Senhora, não encontrei o tradutor! Dai eu: amigo, procure um tradutor Inglês - italiano que eu falo inglês! Ele prontamente voltou na língua com um tradutor de inglês italiano. Dica #1: Cada dia mais e mais eu percebo o quanto falar inglês literalmente me salva. A mulher confirmou meus dados, meu endereço e disse que iria mandar uma ambulância. 

Então, você não precisa falar todas as línguas do mundo, apenas: inglês e espanhol e você sobreviverá em uma emergência. Em menos de 20 minutos a ambulância estava na minha porta. Graças ao acetaminophen, que é milagroso, eu não estava com tanta dor. Os três moços da Cruz vermelha italiana entraram na minha casa e acredite: Dois deles falavam inglês muito bem. Eu como não sou trouxa e nem nada já logo aprendi como se falam as palavras mais importantes pro meu caso: “cólica renali” E outras várias! Fui removida pro hospital quase que sem dor mas vomitando na ambulância. Ao chegar no hospital veio o primeiro choque de realidade! Pra nos que moramos nos EUA, qualquer hospital na Itália vai ser um choque mesmo. 

Porque lá nos EUA não existem hospitais públicos, então as instalações lá são verdadeiras “obras de arte”. Você pode imaginar meu susto ao ver o naipe do hospital italiano. Ao chegar eles foram fazer minha “registrazione” e a enfermeira que não estava nem um pouco a fim de ajudar não conseguia encontrar o nome da minha cidade no sistema! É tão fim do mundo que nem no sistema tem. Depois de umas 4 tentativas ela me registrou, os paramédicos da ambulância foram embora e ela me pediu pra aguardar na sala da emergência. Alguns minutos depois uma médica chegou e me pediu para entrar na sala, fez um exame clínico apalpando e constatou que realmente poderia ser uma crise renal.

 Ela já ali mesmo na sala sacou um aparelho de ultrassom que foi algo que me surpreendeu porque nos EUA eles não fazem ultrassom e sim: Cat-scan que é uma tomografia computadorizada. Fazia 3 anos que eu não via um aparelho de Ultrassom. Ela olhou meus rins em menos de 0.5 minuto e eu achei muito rápido. Depois veio a mesma enfermeira que não conseguia achar a cidade no sistema, tirar sangue de mim. O que mais me assustou foi que ela não conseguiu pegar minhas veias e fez um verdadeiro estrago no meu braço em menos de 1 min. 


Conclusão: