• Carol Capel

A trágica história de Jumbo, o elefante mais famoso do mundo, que inspirou Disney e apelidou avião.

Assistam ao vídeo:

Equipe de cientistas analisou os restos mortais do elefante para um documentário da BBC e desvendou mistérios de uma vida marcada por sofrimento.

Jumbo passeia com visitantes do zoológico de Londres; peso provocou lesões nos quadris e joelhos do elefante

Ele se tornou uma celebridade assim que chegou a Londres, onde multidões se aglomeravam para ver o "maior elefante do mundo".

Jumbo, como era conhecido, desembarcou na capital britânica em 1865, vindo da África, onde foi capturado quando era filhote.

O elefante era tão popular na época que até os filhos da rainha Victoria eram seus fãs.

Ele inspirou um dos filmes mais famosos da Disney: Dumbo, que conta as aventuras de um elefante voador. E foi também a origem do apelido dado ao Boeing 747, devido ao tamanho da aeronave.

Um documentário da BBC, apresentado pelo renomado naturalista britânico David Attenborough, reuniu especialistas de diferentes áreas para examinar o esqueleto de Jumbo, que está no Museu de História Natural de Nova York.

O naturalista David Attenborough e um grupo de cientistas examinaram o esqueleto de Jumbo para um documentário da BBC

A ideia era desvendar alguns mistérios que rondam o célebre elefante. Como ele morreu exatamente? Por que sofria ataques de fúria? Será que ele foi realmente o "maior elefante do mundo"?

Os resultados da investigação causaram tanto surpresa quanto tristeza nos especialistas.

O fato é que a vida real de Jumbo foi muito diferente da fantasia criada pelos estúdios Disney.

Uísque como calmante

Fotografias e gravuras da época mostram Jumbo no zoológico de Londres, carregando diversos visitantes - de crianças a adultos - nas "costas".

Ter a oportunidade de "andar de Jumbo" era certamente uma das aventuras mais emocionantes para as crianças londrinas.

Mas o elefante que era manso durante o dia sofria "ataques de fúria" à noite - os acessos de raiva chegaram a danificar, em diversas ocasiões, as cercas de madeira que ficavam ao seu redor.

Alguns relatos sugerem que Matthew Scott, o fiel cuidador de Jumbo, costumava dar uísque ao animal para acalmá-lo.

O zoológico concluiu então que Jumbo poderia se tornar uma ameaça para o público e decidiu vendê-lo, em 1882, para o circo norte-americano PT Barnum.

O animal se recusou, no entanto, a entrar em um curral de madeira para ser levado para o navio, quebrando várias vezes as correntes que tentavam contê-lo.

E só "concordou" em embarcar quando os donos do circo aceitaram que Scott viajasse com ele - o cuidador conseguiu acalmá-lo.

Centenas de pessoas foram até o porto se despedir de Jumbo, que duas semanas depois desembarcaria na costa leste dos Estados Unidos.

Em terras norte-americanas, o elefante continuou super popular - percorreu todo o país com o circo, chegando até o Canadá. Mas morreu ainda jovem, com apenas 24 anos, quando foi atropelado por um trem, em um incidente rodeado de mistério.

Dores fortes

Attenborough e um grupo de cientistas começaram então a examinar o esqueleto de Jumbo.

Jumbo, 'o maior elefante do mundo', foi uma grande atração nos dois lados do Atlântico —

Richard Thomas, arqueólogo da Universidade de Leicester, no Reino Unido, observou que Jumbo tinha uma sobreposição incomum de camadas de ossos novos e velhos nos quadris.

"São sinais de lesões que seu organismo estava tentando reparar", disse Thomas no documentário da BBC.

"Essas lesões devem ter sido incrivelmente dolorosas e foram resultado do peso que Jumbo teve que transportar, carregando grupos de visitantes".

De acordo com Thomas, o excesso de peso também causou lesões no joelho do animal.

"Quando olhamos seus joelhos, vemos todos os tipos de modificações que você não esperaria encontrar em um elefante daquela idade. Não esqueçam que Jumbo tinha apenas 24 anos e ainda estava crescendo."

"Os ossos dele parecem mais com os (ossos) de um elefante de 40 ou 50 anos", completa.

Fúria noturna

Os ataques da fúria noturnos eram tão violentos que o animal desesperado chegou a quebrar, em algumas ocasiões, suas presas.

Jumbo era muito popular entre as crianças, incluindo os filhos da rainha Victoria

E quando a presas começavam a crescer, o elefante as desgastava, esfregando-as contra as cercas.

Uma das autoridades do zoológico, Abraham Bartlett, atribui o comportamento noturno de Jumbo a um fenômeno conhecido como must - período em que elefantes do sexo masculino apresentam comportamento agressivo, acompanhado de um forte aumento nos níveis hormonais.

Mas Vicki Fishlock, pesquisadora de elefantes baseada no Quênia, discorda.

Segundo ela, se os hormônios tivessem sido a causa da ira de Jumbo, o elefante teria sido violento até mesmo com seus cuidadores, o que não aconteceu.


Dentes deformados

Os cientistas encontraram no crânio do animal uma pista que também pode explicar o comportamento violento - malformações muito pronunciadas nos dentes.

O cuidador de Jumbo, Matthew Scott, foi a única pessoa que conseguiu acalmar o elefante para embarcar no navio rumo aos Estados Unidos

"Os elefantes têm seis dentes, mas apenas um de cada lado se desgasta em determinado momento. Quando o dente cai, outro dente nasce para substituí-lo, mas se o dente velho não se desgasta o suficiente, não cai, fazendo com que o novo dente fique deformado", explica Thomas.

A dieta de Jumbo no zoológico e no circo era bem diferente da de um elefante em seu habitat natural, onde os animais comem uma variedade de vegetação que permite a eles desgastar os dentes.

A conclusão de Thomas é que Jumbo "sofria com uma dor de dente terrível", que ficava mais latente durante a noite, quando não havia distrações. E provocava os ataques.


Tamanho

Mas Jumbo era realmente o maior elefante do mundo?

Talvez sim, dizem os pesquisadores do documentário da BBC.

Jumbo ganhou estátua em St. Thomas, em Ontário, no Canadá, onde o célebre elefante morreu.

Uma fenda na cabeça do fêmur de Jumbo indica que o elefante ainda estava crescendo quando morreu.

Ao analisar os ossos, os cientistas determinaram que ele tinha uma altura de 3,45 metros - do ombro até o chão.

Um elefante africano selvagem da mesma idade tem, em média, 2,84 metros.

E Jumbo ainda estava em fase de crescimento, então poderia ter se tornado o maior elefante africano do mundo, de acordo com Thomas.


Pelos da cauda

Após a morte, o corpo de Jumbo foi embalsamado e preservado pela Universidade Tufts, em Massachusetts, nos Estados Unidos.

Um incêndio destruiu os restos mortais do animal, com exceção do rabo, que a pesquisadora Holly Miller, da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, analisou para descobrir sua dieta.

A cauda embalsamada de Jumbo foi salva de um incêndio e se encontra nos arquivos da Universidade Tufts, em Massachussetts

Miller encontrou grandes níveis de nitrogênio nos pelos da cauda de Jumbo, o que indica que ele não era saudável.

Segundo ela, o corpo do animal não recebia os nutrientes necessários - e seu organismo extraía níveis anormais de nitrogênio dos alimentos na tentativa de cicatrizar as frequentes lesões.


Morte misteriosa

A vida de Jumbo chegou ao fim quando ele e outro elefante menor embarcaram em um trem na cidade de St. Thomas, em Ontário, no Canadá.

Jumbo ganhou uma estátua na cidade - e o museu local é quase um memorial do elefante.

Matthew Scott, o cuidador de Jumbo, aparece junto às orelhas do elefante em foto tirada após a morte do animal

Entre as muitas fotografias e gravuras do acervo, uma chamou a atenção de Attenborough.

A imagem mostra Jumbo morto após a colisão com o trem - e é possível observar marcas profundas em seu quadril.

O dono do circo disse inicialmente que ele teria se jogado na frente do trem para proteger heroicamente o elefante menor.

Mas as marcas indicam que, na realidade, o trem atropelou Jumbo por trás, quando o elefante estava sendo embarcado em um vagão.

O esqueleto que está no Museu de História Natural de Nova York não apresenta fraturas, o que fez os cientistas concluírem que Jumbo morreu de hemorragia interna.


Elefantes 'aposentados'

A história de Jumbo tem contornos muito atuais.

Attenborough visitou um santuário no Tennessee, nos Estados Unidos, para elefantes de circo "aposentados" - e muitos animais que estão ali apresentam sintomas semelhantes aos de Jumbo.

Os elefantes do santuário têm as presas desgastadas, esfregando-as constantemente em sinal de agitação e estresse.

Segundo Vicki Fishlock, zoológicos e circos não podem ser o lar de elefantes como Jumbo.

Eles devem viver em seu habitat natural - são animais sociais, que precisam de contato com seus pares, de acordo com a pesquisadora.

Na foto tirada após a morte de Jumbo, Matthew Scott, seu fiel cuidador, aparece ao lado do corpo. Segundo contam, ele chorou inconsolavelmente diante da partida do amigo inseparável.

A empatia de Scott foi certamente o grande incentivo de Jumbo ao longo de sua breve existência - tão célebre quanto trágica.

E depois de tudo isso que vimos sobre a história de Jumbo o que nós aprendemos com isso?

Talvez você que esteja me assistindo tenha aprendido algo sobre maus-tratos, mas a Disney, sim a Disney, pegou essa história de horror e resolveu fazer um desenho para crianças sobre isso.

Nós já discutimos bastante sobre esse assunto no vídeo que eu falei que Dumbo destruiu minha infância (colocar vídeo no card), mas esse filme do Dumbo é antigo. Naquela época o ser humano era pior do que é hoje e certamente não tinha muita noção de respeito pelos animais. Não que hoje nós tenhamos o respeito que eles merecem. Mas no passado tudo isso era muito pior. O filme Dumbo da Disney foi lançado em 1941. E de acordo com alguns comentários de pessoas que assistiram aquele meu vídeo onde eu comentei sobre os maus-tratos que o Dumbo recebe no filme. O filme é antigo e aquela era a realidade de uma época.

Mas em 2018 surge no horizonte a mesma empresa. A Disney que, de certo tá sem criatividade. Pegando todos os filmes de antigamente e relançando-os como Live Action, trazendo de volta todo esse horror de Dumbo. Esfregando maus tratos à animais, fazendo com que a gente engula um filme sobre animais de circo explorados guela à baixo só porque o Tim Burton resolveu dar cores à essa magnifica obra.

Mas mesmo eu sendo extremamente exagerada como as pessoas falam. Se a gente parar pra pensar, além claro da escancarada falta de criatividade da Disney em lançar filmes novos. Trás à tona toda essa mensagem de horror de animais de circo.

Embora boa parte das pessoas reconheça esses fatos, muitos ainda continuam a assistir circos, ah e claro, atrações de parques com animais. Elefantes, tigres, leões, felinos, ursos, primatas, répteis e outros animais são submetidos a condições de vida deprimentes, vivendo em lugares apertados e pequenos. Eles viajam a maior parte do tempo e passam por métodos cruéis de treinamento que usam violência, medo e intimidação, na frente de multidões barulhentas sob luzes brilhantes.


Crueldade intrínseca

Os elefantes, tigres e outros animais de circo são animais selvagens. Mesmo que eles sejam capturados em suas terras nativas e criados em cativeiro, continuam sendo selvagens. Os animais utilizados em circos vêm de diferentes partes do planeta e possuem necessidades específicas para a dieta, saúde, interação social, clima, e para os cuidados veterinários. No entanto, os animais de circo são todos treinados na mesma forma, vivendo nas mesmas péssimas condições. Não é possível que as necessidades individuais de cada animal sejam cumpridas aqui. Pior ainda, os maus-tratos e a negligência com os animais é presente em toda a indústria.


Transporte

Os animais passam a maior parte de suas vidas em vagões, gaiolas e correntes, tendo vidas artificiais. Na natureza, os elefantes selvagens, por exemplo, vivem em grandes manadas e andam até 25 quilômetros todos os dias. Tigres, leões e outros animais também estão sempre em movimento nos seus habitats nativos. Em contrapartida, no circo e em parques, os animais ficam confinados e treinam cerca de 300 dias por ano. Privar essas criaturas da liberdade é algo intrinsecamente cruel.

Os animais passam suas vidas com viagens constantes, em lugares pequenos e sujos (Foto: Moscow Circus)

Durante a maior parte do tempo, os animais são forçados a ficar enjaulados e acorrentados, muitas vezes em veículos que não possuem controle de temperatura. Você poderia ver um caminhão na estrada e nunca suspeitar que ele carregue elefantes e tigres. Muitos veículos são pequenos, escuros, sujos e perigosos.

Infelizmente, a AWA  (Lei de Bem-Estar Animal) permite a existência de circos com animais nos Estados Unidos, apesar disso, o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) exige um tratamento “humanitário”.


Treinamento

A indústria do circo quer que você acredite que os animais são expostos a treinamentos positivos. Enquanto o show acontece, o público vê que os animais recebem recompensas alimentares, elogios e feedbacks positivos. Mas as pessoas também vão notar que os treinadores estão com dispositivos de dominação.

O senso comum nos diz que um elefante de sete toneladas ou um tigre com dentes afiados dominariam naturalmente o homem, e que eles não poderiam ser forçados a fazer algo que não queiram. Mas a máxima do circo é “O show não pode parar”, e assim ocorre, os animais querendo ou não. Os truques que eles fazem não são naturais, mas sim dolorosos.

Treinadores causam ferimentos em elefantes com um porrete chamado “bullhook” (Foto: PETA)

O “bullhook” (porrete com arestas que causam ferimentos em elefantes) é talvez a ferramenta mais utilizada nos circos. O “bullhook” é um cabo longo com um gancho de metal afiado em uma extremidade. Embora a pele dos elefantes seja grossa, ela também é muito sensível. Durante um treinamento não é incomum um elefante gritar e cair de joelhos para evitar os golpes.

Além disso, outras ferramentas incluem privação de água, comida, uso de chicotes, objetos pontudos e aguilhões elétricos.


Cuidados

Animas vivem em condições degradantes em circos, com cuidados veterinários inadequados ou inexistentes (Imagem: The Daily News)

O abuso muitas vezes é resultado da negligência e da omissão. Os relatórios de inspeção do USDA constantemente revelam que os animais são privados de água limpa, comida fresca e ficam em abrigos inadequados. Muitas vezes, não há nenhum veterinário ou, se houver, ele não é informado das condições dos animais, assim, os animais doentes e feridos são tratados de forma incorreta. O USDA já relatou que estes circos possuem alimentos mofados, falta de água e produtos químicos próximos do abastecimento de alimentação, além de medicamentos vencidos que são dados aos animais.

Artigo adaptado da referência Born Free (15/06/2004), Animal Issues, Vol. 35, N. 2, Summer 2004


É por isso que eu Caroline Capel declaro que eu tenho repúdio à esse filme da Disney, um filme que promove os animais de circo. Eu tenho repúdio ao parque da Disney Animal Kingdom que mantém animais presos e alguns deles fazendo showzinhos para a galera curtir.

Eu tenho repúdio ao Sea World e tenho repúdio ao Busch Gardens e à todas as pessoas que de alguma forma trabalham para a divulgação desses locais.

Tem gente inclusive que divulga esses lugares em troca de um ingresso e um pratinho de comida. Que nojo que eu tenho dessas pessoas.

Quanto ao filme, não vou assistir. É simples.

Mas o que nós estamos tratando aqui nesse vídeo é muito mais do que um simples filme vindo da mente perturbada da maior empresa de entretenimento do globo.

Carol, o que nós podemos fazer para combater esse tipo de prática?

É simples gente, não promova.

Não financie.

Seja contra. Se você concorda e acha que é errado. Faz igual eu, não promova.


Beijos

Carol Capel

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